Terça-feira, Fevereiro 22, 2005

Em balanço

Criei o paper ha aproximadamente 9 meses ;fi-lo talvez por curiosidade, ou porque gosto de blogs ou simplesmente porque adoro escrever e apetecia-me partilha-lo com alguem . Neste 9 meses muita coisa mudou :conheci pessoas fantasticas ,criei atraves do blog grandes amizades (que pretendo manter) ,afeiçoei-me a todos voces . Vejo o "paper" como um amante antigo a quem conheço as manias e os defeitos ,mas por quem mantenho um imenso carinho ,este blog é tambem um pouco de mim e nao me pretendo desfazer dele (pelo menos por enquanto). Infelizmente ando sem tempo e confesso um pouco cansada ,as vezes temos de mudar um pouco e é isso que pretendo fazer. A vocês vou continuar a visitar ate porque o faço com imenso prazer , continuarei a escrever tambem e um dia(acredito que em breve,porque nao vou conseguir separar-me muito tempo do blog) quando me encontrar voltarei a escrever aqui . Tenho de agradecer a todos vocês que fizeram com que este blog fosse possivel e que me apoiaram sempre deixando-me as vossas palavras fantasticas .
Volto assim que me encontrar (se é que isso é possivel).Nao quero tornar isto numa despedida porque na verdade ,nao o é . É apenas um ate ja *

P.S: Nao deixem de ouvir a musica ,para quem ainda nao conheçe vale a pena .
Eu volto ,ate porque isto ta quase a fazer um ano temos de dar uma festa .

Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005

"Todo o amor do mundo não foi suficiente porque o amor não serve de nada . Ficaram só os papeis e a tristeza ,ficou só a amargura e a cinza dos cigarros e da morte.
Os domingos e as noites que passamos a fazer planos não foram suficientes e forma demasiados porque hoje são como sangue no teu rosto, são como lágrimas.
Sei que nos amamos muito e um dia, quando já não te encontrar em cada instante, em cada hora ,não irei negar isso. Não irei negar isso nunca ,que te amei,nem mesmo quando estiver deitado, nu, sobre os lençóis de outra e ela me obrigar a dizer que a amo antes de a foder ."


José luís Peixoto


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Num comentario ao ultimo texto a gaivota dizia-me "As palavras como murros." Eu tambem gosto assim delas,fortes e como murros. Gosto deste excerto por isso mesmo é forte e verdadeiro. Bom fim de semana a todos *

Terça-feira, Fevereiro 15, 2005

Não se brinca com o fogo

Uma conversa banal, igual a tantas outras

(…)
- Consegues sempre deixar-me assim .
-Assim?
- Tu sabes …
- Não ,não sei. Tens de me explicar um dia destes !
-Onde vais?
-Estou atrasada .
- Já vais ,tens tempo.
- Tenho de ir .
- Nunca te disseram que quem brinca com o fogo queima-se?
- Dizem-me muita coisa . …
- Anda cá !
- Solta-me !!!

A luta ,a parede, a liderança do mais forte …mas quem é o mais forte? A musica de fundo a fazer se acompanhar pelas batidas do coração ;primeiro calma, depois cresce torna-se cada vez mais forte …forte…forte .
O beijo … forçado! O grito da alma… sufocado! A raiva a crescer dentro do peito, a musica, a ira…

-Aiiiiiiiiiiii !!!

O grito agudo …o sangue …a musica ao rubro .

- Mordeste-me ,sua cabra!
- Quem brinca com o fogo queima-se. Nunca te tinham dito ?

O sorriso , o chão a ranger , a porta a bater , a musica … a evaporar-se no ar …



Este texto andava por aqui perdido decidi posta-lo.Nao sei se gosto dele ,acho que nao desgosto mas tambem nao morro de amores .

Domingo, Fevereiro 13, 2005

Fragil nas tuas maos...

Soy frágil en tus manos, soy papel,
y quando el mar se arroja y se retirasiento
el furor callado de las constelaciones.

Eduardo Garcia


P.S: Peço desculpa pela ausência ,uma forte gripe arrastou-me para a cama mas recuperei e estou de volta. Ainda não recuperei foi a imaginação mas isso resolve -se,obrigado pelos vossos comentarios. Boa semana para todos *

Terça-feira, Fevereiro 01, 2005

"Que há dentro deste ser, que não tem limites? Que há dentro deste ser de real e verdadeiro? Cada um assume proporções temerosas. Caem lá dentro palavras, sentimentos, sonho - é um poço sem fundo, que vai até à raiz da vida. À superfície todos nós nos conhecemos. Depois há outra camada, outra depois. Depois um bafo. Ninguém sabe do que é capaz, ninguém se conhece a si próprio quanto mais aos outros, e só à superfície ou lá para muito fundo é que nos tocamos todos como as árvores de uma floresta - no céu e no interior da terra. De mais baixo ainda vêm terrores, ânsias, desespero... A maior parte das criaturas não só se ignoram como não passam nunca da camada superficial.É um erro supor que o homem ocupa um espaço limitado no universo: cada homem vai até ao interior da terra e até ao âmago do céu. A parte de cima foi cortada, mas o que resta da alma é um poço sem fundo. Uma obscuridade. Por vezes fala a lei e o hábito. Intrometem-se coisas abjectas a que não sei o nome. Agora é a vez de impulso - agora é a vez do interesse. A mania também tem os seus direitos. De mais baixo ascendem ordens que se não chegam a formular. Desço mais fundo no poço e encontro restos sórdidos e candura. Por baixo sonho - por baixo fragmentos e gritos..."

Raul Brandão, "Húmus"